A evolução do bloco de partida

Descubra como este acessório mudou ao longo dos anos para se adaptar as inovações técnicas da natação

27/04/2020 - Patrick Winkler

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Bloco de partida - Foto: Satiro Sodre/SSPress
Bloco de partida - Foto: Satiro Sodre/SSPress

Bloco de partida - Foto: Satiro Sodre/SSPress

Bloco de partida - Foto: Satiro Sodre/SSPress

Quando o locutor termina a apresentação dos nadadores em qualquer competição, vem a seguinte frase do juiz de partida: “As suas marcas…

Neste momento o atleta posiciona o corpo na melhor posição aerodinâmica para que possa proporcionar extremo impulso do bloco e começar a nadar da maneira mais enérgica possível.

Durante muitos anos, os nadadores aprendiam que impulsionar as duas pernas simultâneas era a melhor maneira de largar do bloco da partida. Entretanto, muito do que se aprende e aplica na natação é inspirada no atletismo. Ações de marketing, regras de cronometragem, duração de provas, etc.

Bloco de partida – Foto: Satiro Sodre/SSPress

Alguns exemplos:

Maratona de Corrida x Maratona Aquática: a prova de corrida de 42 km, para os melhores atletas do mundo, termina em torno de 2 horas. Assim, a Federação Internacional de Natação (FINA) oficializou os 10 km como a maratona aquática por apresentar tempo similar a corrida.

Treinamento: muitos dos ciclos e periodizações de treinamento de velocidade, média e longa distâncias no atletismo, foram aplicados em treinamento para natação.

Regras de patrocínio: o formato da natação em campeonato mundial onde o nadador entra na arena do evento com as logomarcas dos patrocinadores do evento é também inspirado no Campeonato Mundial de Atletismo da IAAF

Bloco de partida – Foto: Satiro Sodre/SSPress

Não é a toa que o atletismo pode ser considerado a única modalidade mais “raiz” do que a natação no que se refere a Jogos Olímpicos. Assim, não seria surpresa se alguns técnicos e atletas começam a analisar algumas imagens biomecânicas do atletismo para ser aplicada na natação.

No ano de 1988, nos Jogos Olímpicos de Seul, o nadador norte-americano Chris Jacobs surpreendeu o mundo, não por sua honrada medalha de prata nos 100m livre, mas pela execução de saída do bloco com um pé na frente do outro.

Na ocasião a medalha de ouro veio para um dos melhores nadadores da história, o lendário Matt Biondi, mas a velocidade de reação de saída de Jacobs não passou despercebida.

 

Utilizando novamente os 100m livre como parâmetro, nos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, numa “guerra fria” entre Alex Popov e Gary Hall Jr, vimos o russo ganhar a medalha de ouro, mas o reflexo de saída do norte-americano foi visivelmente mais rápido. Mais do que isso, na raia 02, o porto-riquenho Ricardo Bousquet também executava a saída “atletismo” com perfeição.

 

Podemos dizer que a grande virada veio nos Jogos Olímpicos de Sydney-2000, onde quatro nadadores utilizaram a saída tradicional e quatro utilizaram a saída atletismo na final dos 100m livre, confira:

Raia 01 Denis Pimenkov da Rússia: saída tradicional
Raia 02 Neil Walker dos Estados Unidos: saída tradicional
Raia 03 Alex Popov da Rússia: saída tradicional
Raia 04 Pieter van den Hoogenband da Holanda saída tradicional
Raia 05 Michael Klim da Austrália saída atletismo
Raia 06 Lars Frölander da Sécia saída atletismo
Raia 07 Gary Hall Jr dos Estados Unidos saída atletismo
Raia 08 Chris Fydler da Austrália saída atletismo

 

Chegamos a conclusão que 50% dos melhores velocistas do mudo utilizavam uma metodologia de largada de bloco e 50% mantinha a natação tradicional. Porém, estava claro que as saídas com os pés juntos estavam com “seus dias contados”.

Nos 100m livre dos Jogos Olímpicos de Atenas-2004, tivemos sete atletas utilizando a nova saída e somente o australiano Ian Thorpe executou a saída tradicional nadando na raia 08. Assim terminava a geração que utilizava pernas paralelas no bloco de partida.

 

Toda a evolução aconteceu na metodologia da largada, porém, o bloco de partida não havia apresentado grandes evoluções e o designer de sua construção era muito semelhante aos últimos 40 anos de natação competitiva.

Ainda nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, embora o novo formato de saída de bloco estivesse consagrado e inclusive todas as crianças ao redor do globo terrestre, já ingressavam na natação competitiva (mirim, petiz, infantil) utilizando o novo formato, o bloco não havia evoluído.

As mudanças começaram a ocorrer no ano de 2009. No campeonato mundial da FINA em Roma, os blocos ainda foram convencionais e logo após o termino do evento, foi permitido a inserção do suporte traseiro.

Bloco de partida – Foto: Satiro Sodre/SSPress

O Brasil é um país que apresenta bons resultados na natação internacional e logicamente que sempre apresenta excelente estrutura em campeonatos como Troféu Brasil/Maria Lenk, Troféu José Finkel, Desafio Raia Rápida, entre outros. Em dezembro de 2009, a Fiore apresentou seus blocos de partida no Torneio Open que foi realizado na piscina do Esporte Clube Pinheiros.

Neste mesmo evento, Cesar Cielo estabeleceu o novo recorde mundial dos 50m livre com 20s94, utilizando pela primeira vez o bloco com suporte traseiro em competições oficiais no Brasil.

 

A FINA alterou as regras na fabricação mundial de blocos de partida, fazendo com as empresas especializadas apresentassem novos modelos. Geralmente observamos os blocos de natação Omega em Jogos Olímpicos e blocos Myrtha em Campeonatos Mundiais.

Pelo âmbito nacional, a tradicional marca Fiore realizou ótimos acordos com os principais clubes do Brasil, e hoje apresenta o consagrado bloco Rio (considerado por muitos como a melhor versão nacional). O Brasil também apresenta outras excelentes opções de bloco de partida das marcas ProSwim e Floty.

Muitos clubes e academias ainda disponibilizam somente o bloco de partida em sua versão antiga, mas é questão de tempo até que os principais centros aquáticos do país, instalem a nova versão.

Bloco de partida da Fiore – Foto: Reprodução/Fiore

Patrick Winkler

Editor-chefe da SWIM CHANNEL.