Quarto dia do Mundial de curta: Etiene em busca do bi

10/12/2016

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Em uma sessão de finais e semifinais sem recordes mundiais nem marcas históricas, o destaque do quarto dia do Campeonato Mundial de piscina curta, ao menos para os brasileiros, foi a classificação de Etiene Medeiros na primeira posição para a final dos 50m costas.

Etiene não deu chances para o azar e, nadando na segunda semifinal da prova que defende o título, classificou-se em primeiro com 26s00. Na final de amanhã terá o desafio das duas nadadoras que completaram o pódio há dois anos, a australiana Emily Seebohm e a húngara Katinka Hosszu. Entra como favorita para a final de amanhã e deve nadar mais rápido amanhã, até porque nadou abaixo de 26 segundos abrindo o revezamento ontem.

Outra esperança brasileira de medalha, Nicholas Santos, infelizmente não terá essa chance. Com 22s82 na semifinal dos 50m borboleta, fica em 9º e fora da final. Com isso não poderá disputar o tira-teima com Chad le Clos – cada um venceu a prova uma vez nos dois últimos mundiais de curta. Uma prova irreconhecível, três décimos acima da eliminatória, na qual havia se classificado em primeiro. Reclamou pela saída ter sido demorada, o que o prejudicou em seu principal fundamento.

Michael Andrew (foto: Federação de Natação de Cingapura)

Michael Andrew – Foto: Federação de Natação de Cingapura

Talvez o destaque negativo do dia vai para o russo Vladimir Morozov, de quem se esperava muito e não se obteve muita coisa. Tendo estabelecido o recorde mundial de 50s30 nos 100m medley na Copa do Mundo, e em todas as nove etapas tendo vencido, com pior tempo de 51s75, hoje viu o ouro ser ganho com 51s84. E ele ficou fora do pódio. Michael Andrew, há anos tido como o futuro da natação americana, aos 17 anos vence sua primeira prova absoluta internacional. Pódio completado por japoneses, Daiya Seto e Shinri Shioura, com Morozov nada menos em sexto lugar com irreconhecíveis 52s83. Para piorar, fez tempos mais rápidos na eliminatória e na semifinal. Ou seja, das 12 vezes que nadou no ano, fez o pior tempo justamente na final do Mundial. Ter nadado o revezamento 4x50m livre 15 minutos antes teve seu preço. E ainda teria os 50m livre.

Uma prova em que o russo entrou mordido, e que parecia que seria sua redenção. Mas após liderar 49 metros, foi surpreendido na última braçada pela surpresa Jesse Puts, da Holanda. E novamente Morozov faz um tempo que fez mais rápido na Copa do Mundo por várias vezes – em oito das nove etapas. Prova fraca, na qual o tempo do vencedor sequer daria pódio nos últimos três mundiais de curta. Mas foi o que menos importou para o holandês, que ficou surpreso com a vitória – mas não com o tempo, já que seu melhor é 21s05. Aliás esse foi o tempo de Morozov na semifinal, que lhe daria a vitória na final. Da próxima vez o russo pensará várias vezes antes de nadar várias finais em uma mesma etapa…

Quem não bobeia é Katinka Hosszu. Com habilidade impressionante nos fundamentos, mostra velocidade e vence os 100m medley com 57s24. Impressionante porque mostra domínio total nas viradas e ondulações com a explosão necessária para uma prova tão rápida, o que é de se chamar a atenção para uma nadadora especialista nso 400m medley, uma prova de fundo. A australiana Emily Seebohm e a jamaicana Alia Atkinson se aproveitaram da velocidade em suas especialidades, costas e peito, para completarem o pódio. Mas dominar vários estilos e fundamentos da prova, só mesmo Katinka Hosszu, não por acaso campeã e detentora do recorde mundial.

Katinka Hosszu: como sempre, a húngara marca presença no campeonato - Foto: Reprodução

Katinka Hosszu – Foto: Reprodução

Mas, fenomenal que é, Hosszu não foi páreo para as rivais nos 400m livre. Em provas como 100m e 400m medley, nos quais é absoluta, mesmo não estando em seu melhor ela consegue levar. Mas em outras provas pode faltar um pouco. Após uma temporada cheia, mostra sinais de cansaço, sem nenhuma melhor marca pessoal e por vezes nadando até pior que em competições menores esse ano. Foi o caso aqui. Com 3min59s89, piora seu tempo do Campeonato Húngaro em novembro e termina na quarta posição, perdendo o bronze no final com dificuldade para imprimir um forte final de prova para a japonesa Chihiro Igarashi. A americana Leah Smith levou seu segundo ouro, após a vitória nos 800m ontem, com 3min57s78. Após um grande ano, em que se firmou como o segundo nome da prova no mundo atrás apenas de Katie Ledecky, encerra a temporada de forma perfeita. Curiosidade: o tempo de Ledecky na Olimpíada, em piscina longa, venceria o de Smith em piscina curta, tanto nos 400m quanto nos 800m…

Nas outras provas, vitória para a dimanarquesa Jeanette Ottesen nos 50m borboleta com 24s92 e do japonês Junya Koga nos 50m costas com 22s74, além de dois ouros russos nos revezamentos do dia – 4x50m livre e 4x200m livre, ambos masculinos.

Por Daniel Takata

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