Recorde nas eliminatórias: qual a real necessidade?

06/08/2016

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Adam Peaty bateu o recorde mundial nas eliminatórias – Foto: Alessandro Koizumi/Swim Channel
A húngara Katinka Hosszu se acostumou a vencer múltiplas provas e até mesmo bater múltiplos recorde em competições como Copa do Mundo e Campeonato Europeu. Eventualmente, para garantir, alguns recordes eram batidos nas eliminatórias, e não era raro ela desistir das finais para se concentrar em outras provas.

Mas e quanto a um recorde mundial em uma eliminatória olímpica?

Foi o que ela tentou nesta tarde, na primeira sessão da natação na Olimpíada do Rio de Janeiro. Foi atrás do recorde da chinesa Shiwen Ye, de Londres-2012, e terminou a 15 centésimos com 4min28s58. E não deixou dúvida: deu seu 100% para tentar a marca que já havia chegado perto no Europeu desse ano.

Katinka Hosszu: como sempre, a húngara marca presença no campeonato - Foto: Reprodução

Katinka Hosszu – Foto: Reprodução

Depois, foi a vez do britânico Adam Peaty. Já recordista mundial dos 100m peito, único do mundo a nadar abaixo de 58s, fez um fantástico 57s55, melhorando 47 centésimos da antiga marca. Após a prova, ele declarou que pensou em diminuir o ritmo do final, mas ouviu a gritaria da torcida e se empolgou.

A pergunta é: vale a pena?

Em 2012, a australiana Emily Seebohm bateu o recorde olímpico dos 100m costas na eliminatória. A marca ainda continua sendo dela, mas na final da prova perdeu o ouro para a americana Missy Franklin. Seebohm não pensa duas vezes em responder que trocaria seu recorde pelo ouro.

Katinka nadará mais quatro provas individuais e um revezamento. Pode até ser que consiga o recorde na noite de hoje. Mas a qual preço? O esforço na eliminatória pode representar um cansaço a mais nos cinco metros finais dos 200m costas, no penúltimo dia de competições.

Peaty parece imbatível, mas se for atrás do recorde novamente na semifinal, poderá chegar à final tendo enfrentado um desgaste desnecessário de ir atrás de recorde atrás de recorde.

Um desgaste que Felipe França parece não enfrentar. Ele foi outro a superar um recorde na eliminatória – o sul-americano dos 100m peito, com 59s01.

Mas, com uma ida um pouco mais lenta do que de costume e uma volta excelente, foi notável a diminuída de ritmo nos últimos 10 metros para se poupar.

Felipe França (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Felipe França – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Classificado em terceiro lugar, está definitivamente na briga por medalhas.

Uma coisa é ir atrás de um recorde quando não é necessário. A outra é superar uma marca por nadar fácil e estar na melhor forma de sua vida.

Não que Hosszu e Peaty não estejam. Mas podem ter enfrentado um desgaste desnecessário.

Um desgaste certamente não enfrentado ainda pelo brasileiro. E que pode fazer a diferença nas próximas caídas n’água.

Por Daniel Takata
A equipe Swim Channel na cobertura dos Jogos Rio 2016 é patrocinada pela Mormaii, a maior marca de esportes aquáticos do Brasil

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