Refugiados farão estreia em Paralímpiadas

05/09/2016

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Ibrahim al-Hussein durante treinamento na Grécia – Foto: Achilleas Zavallis/UNHCR

Na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio-2016 uma das delegações mais aplaudidas pelo público presente ao Maracanã foi a do Time Olímpico dos Refugiados. Eram dez atletas de três modalidades (natação, judô e atletismo) que passavam ao mundo a essência do espírito olímpico e que o esporte pode ser um poderoso instrumento para melhorar o mundo. A natação teve dois representantes oriundos da Síria e com belas histórias de superação e agora é a vez de assistirmos isso novamente desta vez nos Jogos Paralímpicos.

Será a primeira vez na história que uma equipe de atletas refugiados competirá em uma Paralímpiada e o Comitê Internacional Paralímpico selecionou dois atletas para ter esta honra: o corredor iraniano Shahrad Nasajpour, que tem paralisia cerebral e vive nos Estados Unidos, e o nadador sírio Ibrahim Al-Hussein, uma vítima da Guerra Civil de seu país que encontrou no esporte uma oportunidade de superação.

Al-Hussein participou do revezamento da tocha olímpica - Foto: AFP Photo

Al-Hussein participou do revezamento da tocha olímpica – Foto: AFP Photo

Al-Hussein perdeu uma perna após uma explosão em Deir ez-Zor, sua cidade natal. Na ocasião ele tentava ajudar um amigo ferido e acabou sendo pego de surpreso por uma bomba. A lesão na perna direita foi gravíssima e ele teve que amputar parte dela. Sem condições médicas ou de segurança ele decidiu deixar a Síria e encarou a perigosa travessia sobre as águas do Mar Mediterrâneo. Hoje vive na Grécia, onde também treina para os Jogos Paralímpicos.

“Eu sonhei com esse momento por 22 anos. Pensei que meu sonho tinha acabado quando perdi minha perna, mas agora ele voltou de verdade. Mal posso acreditar que vou ao Rio”, conta o nadador que carregou a tocha olímpica na Grécia e nadará os 50m e 100m livre na classe S10. Al-Hussein espera fazer uma boa competição e também servir de inspiração para jovens sírios que foram feridos e sofrem com as atrocidades do sangrento conflito civil no país.

Por Guilherme Freitas

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