Rio 2016: quem são os nadadores garantidos?

26/12/2015

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Teoricamente, apenas três nadadores brasileiros têm presença garantida nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro: Ana Marcela Cunha, Poliana Okimoto e Allan do Carmo nas águas abertas. Estes já carimbaram passaporte por terminarem entre os 10 primeiros a prova dos 10 km no Mundial de Kazan.

Na natação de piscina, como ainda resta uma seletiva (Troféu Maria Lenk), um nadador que já tenha conquistado índice individual no Open, semana passada, pode ser superado por outros dois e ficar de fora da Olimpíada.

Mas, convenhamos, existem provas em que alguns nadadores podem celebrar este fim de ano com a certeza de que ninguém tirará suas vagas. Qual é a chance de dois atletas melhorarem o 21s50 de Bruno Fratus nos 50m livre? Ou o 4min40s78 de Joanna Maranhão nos 400m medley?

Abaixo, segue a lista daqueles que, salvo algum acontecimento com probabilidade ínfima, estão garantidos na Olimpíada.

Feminino:

50m livre – Etiene Medeiros (24s71)
Pode ser que Etiene seja superada por Graciele Herrmann, que fez 24s92 no Open, mas dificilmente por outra nadadora (Lorrane Ferreira fez 25s28 na abertura de revezamento). Graciele precisa ficar atenta, pois no caso dela basta que uma nadadora faça melhor que seu 24s92. Lorrane não está longe (tem melhor tempo 25s20) e Alessandra Marchioro, se voltar aos melhores dias, pode ameaçar (já fez 25s17).

100m livre – Etiene Medeiros (54s26)
Etiene aqui está até mais garantida que nos 50m livre. É a única com índice e no Open teve um tempo quase um segundo melhor que a concorrente mais próxima. Apesar de Larissa Oliveira e Graciele Herrmann já terem nadado na casa dos 54 segundos, é quase impossível que duas nadadoras melhorem o tempo de Etiene. Devem mesmo brigar pela segunda vaga.

200m livre – Manuella Lyrio (1min58s43)
Esta é uma prova que evoluiu muito no Brasil recentemente depois de anos estacionada. A regularidade pesa em favor de Manuella: foram nada menos que sete vezes este ano na casa do 1min58s, e mesmo que ela sofra a ameaça de Larissa Oliveira (que já nadou uma vez para 1min58s), deve defender sua vaga no Maria Lenk. Larissa, aliás, favoritíssima também para índice individual, não nadou bem o Open. Mas certamente vai brigar pelo índice em abril, e pode sofrer ameaça de Jessica Cavalheiro, que nadou pela primeira vez abaixo dos 2 minutos.

400m livre – ninguém com índice

800m livre – ninguém com índice

100m borboleta – ninguém com índice

200m borboleta – ninguém com índice

100m costas – ninguém com índice

200m costas – ninguém com índice

100m peito – ninguém com índice

200m peito – ninguém com índice

200m medley – Joanna Maranhão (2min14s06)
Joanna pode dormir tranquila com sua vaga assegurada. Mais de dois segundos acima do índice está Nathalia Almeida (2min16s61) e Joanna não será ultrapassada por uma nadadora brasileira, quanto mais por duas.

400m medley – Joanna Maranhão (4min40s78)
Novamente Joanna aparece garantida aqui. Nenhuma mulher na história do país nadou abaixo de 4min50s, e seria ótimo para a natação do país se aparecessem duas que melhorassem o tempo de Joanna, mas é loucura achar que isso vá acontecer.

Revezamento 4x100m livre feminino – Etiene Medeiros
Além de Etiene, hoje as integrantes seriam Manuella Lyrio, Larissa Oliveira e Luana Oliveira. Mas Graciele Herrmann e Daynara de Paula, que subiram ao pódio da prova no Pan de Toronto, estão credenciadas às vagas e já nadaram abaixo do 55s20 de Manuella, que hoje é o segundo tempo. Alessandra Marchioro também já nadou abaixo desse tempo, e pelos motivos já listados nos 100m livre apenas Etiene está assegurada.

 

Etiene Medeios - Foto: Satiro Sodré/SS Press

Etiene Medeios – Foto: Satiro Sodré/SS Press

 

Revezamento 4x200m livre feminino – Manuella Lyrio
Assegurada nos 200m, Manuella também tem vaga garantida no revezamento. Jessica Cavalheiro, Maria Paula Heitmann e Rafaela Raurich vêm em seguida. Jessica, com 1min59s77, não pode comemorar, pois Maria Paula e Rafaela são jovens (categoria juvenil), evoluem muito rápido e podem abaixar a marca, e se Larissa Oliveira repetir seu melhor de 1min58s já seriam três nadadoras à frente. Por isso, nenhuma, além de Manuela, está assegurada. Na briga também estará Joanna Maranhão, que deve tentar beliscar uma vaga no Maria Lenk.

Revezamento 4x100m medley feminino – ainda não classificado para a Olimpíada.

Masculino:

50m livre – Bruno Fratus (21s50)
O tempo de abertura do revezamento 4x50m livre (21s37) não conta para índice, mas mesmo assim o 21s50 obtido por Fratus na prova individual já lhe carimba o passaporte. O concorrente mais próximo, Ítalo Duarte, está mais de meio segundo atrás. O único com condições de superar o tempo de Fratus é Cesar Cielo, mas dois nadadores abaixo de sua marca é altamente improvável.

100m livre – ninguém garantido
Nicolas Oliveira (48s41) e Matheus Santana (48s71) estão com os melhores tempos. Marcelo Chierighini (48s72) e Alan Vitória (48s98) também nadaram no Open abaixo da marca exigida. Chierighini, Santana e Cesar Cielo já nadaram abaixo da marca de Nicolas, e há outros nadadores que também estão na briga abaixo dos 49s como Bruno Fratus, Henrique Martins e Pedro Spajari. O 48s41 de Nicolas não só não o garante na Olimpíada como é esperado que ao menos dois nadadores façam abaixo de sua marca no Maria Lenk. Uma das provas mais imprevisíveis, turbinada pela briga pelas vagas no revezamento 4x100m livre.

200m livre – Nicolas Oliveira (1min47s09)
Para tirar Nicolas da prova na Olimpíada, é preciso de dois nadadores para 1min47s baixinho ou 1min46s, o que é altamente improvável, visto que o único que parece ser capaz disso é João de Lucca. Este, aliás, com seu 1min47s81 no Open, também pegou índice, mas Luiz Altamir não está longe com 1min48s34, por isso é bom ficar atento. João é o recordista sul-americano com 1min46s42 e é favorito para a vaga, mas no momento não a tem garantida.

 

Nicolas Nilo - Foto: Satiro Sodré/SS Press

Nicolas Nilo – Foto: Satiro Sodré/SS Press

 

400m livre – Luiz Altamir Melo (3min50s32)
Leonardo de Deus até tem tempo melhor que o de Altamir, mas não deve tentar índice na prova, pois foca nos 200m borboleta e ainda tem os 200m costas. Miguel Valente fez 3min51s36 ano passado e Lucas Kanieski tem 3min52s50 do Maria Lenk deste ano. Podem ameaçar o índice, mas a chance de dois superarem a marca de Altamir é ínfima.

1500m livre – ninguém com índice

100m borboleta – ninguém garantido
Henrique Martins (52s14), Marcos Macedo (52s17) e Nicholas Santos (52s31) têm índice. E só de verificar suas marcas percebe-se que ninguém pode comemorar. Os experientes Lucas Salatta (52s51) e Kaio Márcio (52s60) não estão longe, além de Arthur Mendes Filho (52s62), representante brasileiro no último Mundial. Se Thiago Pereira resolver nadar, trará ainda mais indefinição.

200m borboleta – Leonardo de Deus (1min56s14)
Leonardo de Deus não chegou perto de seu tempo de 1min55s01 no Open, mas mesmo assim tem vaga garantida. É o único com índice e um segundo e meio à frente do concorrente mais próximo, Kaio Márcio (1min57s67). Campeão pan-americano e finalista mundial, esse tempo já o garantiria na Olimpíada, mas deve melhorar ainda mais no Maria Lenk.

100m costas – Guilherme Guido (53s09)
Com recorde sul-americano no Open, marca entre os 10 melhores do mundo em 2015, Guido atravessa a melhor fase da carreira. É improvável pensar que um nadador melhore sua marca (o concorrente mais próximo é Daniel Orzechowski, que chegou a nadar abaixo do índice este ano, mas não no Open). Dois, então, é impossível. Guido está garantido na Olimpíada.

200m costas – Leonardo de Deus (1min57s43)
Único com índice, ninguém chega perto de Leonardo de Deus nesta prova, à exceção de Thiago Pereira que não deve se arriscar no Maria Lenk.

100m peito – ninguém garantido
Um nadador como Felipe França, com seu 59s56, não está garantido na Olimpíada? Não em um país como o Brasil. Está certo, ele está meio segundo à frente de seus concorrentes. Mas são três: João Gomes Junior (1min00s00), Felipe Lima (1min00s09) e Pedro Cardona (1min00s14). O que se espera é que, além de França, pelo menos outros dois nadem abaixo do minuto no Maria Lenk. E, com isso, o 59s56 está ao alcance. França está quase garantido, mas não dá para cravar. Esse é o resultado das acirradas brigas na prova que temos visto ao longo dos anos.

200m peito – ninguém garantido
Thiago Simon tem 2min09s82 no Pan de Toronto. Mas no Open fez 2min11s29, único com índice. Não se sabe se Thiago Pereira e Felipe França nadarão a prova no Maria Lenk em busca de índice olímpico. Se tentarem, podem abaixar a marca de Simon. Além deles, há Andreas Mickosz, vencedor no Finkel, também na casa do 2min11s. Com a marca do Pan, Simon estaria garantido. Mas como fez 2min11s, ainda não pode comemorar.

200m medley – Henrique Rodrigues (1min58s26) e Thiago Pereira (1min58s32)
Única prova na qual se pode considerar que dois nadadores estão garantidos. Eles têm marcas melhores, mas 1min58s no Open foi suficiente para assegurá-los na Olimpíada. Não há nenhum outro brasileiro abaixo de 2 minutos, e o mais próximo já conseguido foi 2min00s37 de Thiago Simon no ano passado, e provavelmente ele nem tentará índice para a prova. Por isso, Henrique e Thiago formarão a dupla brasileira na prova pela segunda Olimpíada consecutiva.

 

Henrique Rodrigues - Foto: Satiro Sodré/SS Press

Henrique Rodrigues – Foto: Satiro Sodré/SS Press

 

400m medley – Brandonn Almeida (4min14s07)
Com recorde mundial junior, o campeão pan-americano da prova fez uma marca no Open que lhe assegura em sua primeira Olimpíada. Muito à frente dos adversários, o único em condições de superá-lo é Thiago Pereira, que deve nadar a prova no Maria Lenk.

Revezamento 4x100m livre masculino – ninguém garantido
Veja a análise dos 100m livre e entenda por quê.

Revezamento 4x200m livre masculino – ainda não classificado para a Olimpíada.

Revezamento 4x100m medley masculino – Guilherme Guido
Pelas análises das provas individuais de 100m, apenas Guido tem uma vantagem suficientemente grande para assegurar que ele será o melhor nadador em sua especialidade.

No final das contas, se a Olimpíada fosse hoje, o Brasil iria com 28 nadadores. Como há mais uma seletiva, os que podem se considerar garantidos são 11: Etiene Medeiros, Manuella Lyrio, Joanna Maranhão, Bruno Fratus, Nicolas Oliveira, Luiz Altamir, Leonardo de Deus, Guilherme Guido, Henrique Rodrigues, Thiago Pereira e Brandonn Almeida.

Por Daniel Takata

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