Segundo dia do Mundial de curta: ressaca olímpica

08/12/2016

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O segundo dia do Mundial de curta em Windsor, no Canadá, seguiu a mesma toada do primeiro: em geral os vencedores vêm fazendo tempos mais altos do que os ganhadores de dois anos atrás, na edição de Doha. A húngara Katinka Hosszu (foto) até enfatizou a ressaca olímpica por parte de vários nadadores.

Felizmente havia um certo Tae-Hwan Park para elevar o nível. O sul-coreano foi o grande destaque do dia. Nadando na raia 1 nos 200m livre, chegou a passar a primeira metade abaixo da parcial do recorde mundial. O tempo final de 1min41s03 é a terceira melhor marca da história sem trajes tecnológicos. Bate o recorde de campeonato que era de Ryan Lochte por cinco centésimos. E novamente o sul-africano Chad le Clos, a exemplo da Olimpíada, perde o ouro da prova para um asiático – na ocasião o chinês Sun Yang venceu, em uma prova parecida, na qual le Clos deixou para decidir tudo nos últimos 50 metros, e não deu certo.

Nas demais provas, algumas pioras de tempos frustrantes, que se não acontecessem poderiam render medalhas. É o caso de Felipe França e Felipe Lima. Na final dos 100m peito, a vitória foi para o alemão Marco Koch com 56s77, o único abaixo de 57s. Isso mesmo. Com o tempo da semifinal de ontem de 56s99, França ficaria com a prata. Hoje, ficou em quarto com 57s05, apenas um centésimo do bronze. O mesmo para Felipe Lima, que não se classificou para a final, e esse ano nadou quatro vezes entre 56s83 e 57s01, tempos que renderiam medalha hoje. Na final de hoje não vimos o França que estamos acostumados, principalmente em piscina curta, com grande explosão nas filipinas e atacando desde o início com grande velocidade. Ficou longe de seu melhor tempo de 56s25. Há dois anos, em Doha, o tempo do vencedor Koch seria somente bronze.

Felipe França (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Felipe França (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Mas não foram apenas os brasileiros que lamentaram não nadar bem na hora certa. A jamaicana Alia Atkinson fez 29s11 nos 50m peito após ter feito 28s84 esse ano e bater o recorde mundial, além de ter nadado cinco vezes mais rápido na Copa do Mundo em relação ao tempo de hoje. Para piorar perdeu a prova para a americana Lilly King (28s92).

Mitch Larkin, com o título nos 100m costas, tornou-se o nadador mais dominante na prova em nível mundial nos últimos anos: é o atual bicampeão mundial em piscina curta e campeão mundial na longa. No entanto, o título mais importante escapou, o do Jogos Olímpicos, em que chegou como favorito e sequer chegou ao pódio. Hoje venceu a prova na última braçada contra o russo Andrei Shabashov: 49s65 x 49s69.

Com apenas dois dias de competição Katinka Hosszu já se firma como o grande nome. Não perca a conta: já são quatro medalhas. Dificilmente alguém conquistará mais medalhas individuais, e ainda restam quatro dias para Hosszu, quem sabe, superar as oito medalhas de Doha e sair com o recorde histórico de pódios no campeonato. Hoje confirmou o favorotismo nos 200m borboleta, prova na qual foi derrotada há dois anos por Mireia Belmonte. Seu tempo de 2min02s15 hoje foi um segundo mais lento que naquela ocasião, mas sua maior preocupação é chegar na frente em suas provas e ainda ter energia para as que virão a seguir. Já nos 100m costas, prova em que é campeã olímpica, Hosszu fez o suficiente para vencer com 55s54, tempo exatamente igual ao bronze de 2014. Vencer na mesma etapa provas tão diferentes como os 100m costas e os 200m borboleta é algo que só a Dama de Ferro consegue e que nunca nos deixa de impressionar.

Em tempo: ao conquistar sua 17ª medalha em mundias de curta, Hosszu se iguala no ranking histórico feminino da competição com a sueca Therese Alshammar, a americana Jenny Thompson e a eslovaca Martina Moravcova. Nos próximos dias ela não só se tornará a recordista isolada como irá disparar na liderança.

Larissa Oliveira disputou a semifinal dos 100m livre e terminou na 15ª posição com 53s67.

Nas provas de revezamento, o primeiro recorde mundial da competição no 4x50m medley feminino pela equipe americana com 1min43s27. No 4x50m livre misto vitória para a Rússia com 1min29s73.

Por Daniel Takata

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