Uma nova chance olímpica

Com o adiamento dos Jogos de Tóquio jovens nadadores ganharam mais tempo para tentar melhorar seus tempos e atingir os índices

30/03/2020 - Guilherme Freitas

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Luiz Gustavo Borges - Foto: Saulo Cruz/CBDU
Murilo Sartori - Foto: Luiza Celidônio

Murilo Sartori - Foto: Luiza Celidônio

Luiz Gustavo Borges - Foto: Saulo Cruz/CBDU

O adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para o ano que vem eram inevitáveis devido a pandemia do COVID-19 e mexeram no calendário de todas as modalidades. A natação foi uma delas e terá que remanejar as datas do Campeonato Mundial de Fukuoka que seria no meio do ano que vem. Também acabaram mudando de data as seletivas olímpicas nacionais para definição dos classificados. E isso afetou a preparação de atletas.

Os mais velhos poderão sentir-se prejudicados pois terão um ano mais de pesados treinamentos e um ano a mais nas costas. Já para os mais jovens o adiamento é algo mais positivo, pois terão mais um ano de preparação e oportunidades para abaixar seus tempos. Alguns jovens brasileiros poderão sair ganhando com essa mudança e aproveitar a chance para conseguir uma classificação olímpica. Listamos aqui neste texto alguns nomes que estiveram recentemente nas seleções de base (juvenil e júnior) e outros tiveram poucas ou nenhuma participação nas seleções brasileiras principais recentemente.

Murilo Sartori – Foto: Ricardo Sodré/SSPress/CBDA

Talvez quem mais se beneficia deste adiamento olímpico é Murilo Sartori. Prestes a completar 18 anos ele já é uma realidade e nome cotadíssimo para integrar o revezamento 4x200m livre. Medalhista de bronze nesta prova no Mundial Júnior de Budapeste ano passado, Sartori vem em plena evolução e esta muito próximo de alcançar o índice que a CBDA determinou para classificar os nadadores para os Jogos. Com mais um ano de preparação, Sartori pode muito bem chegar a nadar na casa de 1min46s (seu melhor é 1min47s39), tentar beliscar uma vaga individual e fortalecer ainda mais o revezamento em Tóquio.

Na prova mais rápida da natação um sobrenome famoso também ganha espaço. Trata-se de Luiz Gustavo Borges, filho do medalhista olímpico Gustavo Borges. O jovem treina e estuda na Universidade de Michigan e vem sendo a cada ano mais veloz. Em 2019 conseguiu seu melhor tempo na distância (22s21), apenas 20 centésimos do índice. Porém, a batalha por um vaga olímpica será acirradíssima. Se Bruno Fratus parece inalcançável e Cesar Cielo é uma incógnita no momento, Luiz Gustavo terá uma concorrência dura contra Marcelo Chierighini, Pedro Spajari e Gabriel Santos que nadaram a prova pela seleção nos últimos campeonatos internacionais.

Luiz Gustavo Borges – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Os 100m borboleta é outra prova onde há jovens tentando surpreender. Vinicius Lanza é atualmente o melhor brasileiro na distância tendo sido medalhista no Campeonato Pan-Pacífico em 2018 e nos Jogos Pan-Americanos em 2019. Porém, a luta pela segunda vaga será interessante de acompanhar. Há três nadadores próximo do índice estabelecido pela CBDA que é de 51s96: Iago Amaral com 52s09, Pedro Vieira com 52s30 e Bernardo Almeida com 52s37. Iago esteve em 2018 no Pan-Pacífico, Pedro foi medalhista de prata no Mundial Júnior de Dubai-2013 nesta mesma prova e Bernardo finalista no Mundial Júnior de Budapeste ano passado.

Porém, surpresa mesmo seria uma classificação do jovem Stephan Steverink. O nadador conseguiu grandes resultados em 2019. Nos 1500m livre nadou para 15min26s77, mas chama atenção mesmo seus 400m medley. Nesta prova Stephan conseguiu um expressivo 4min21s35. Teoricamente ele vai evoluir nesta temporada e em 2021 quando houver a nova seletiva olímpica chegará mais experiente. O jovem já deixou claro que seu foco é Paris-2024, mas o adiamento dos Jogos pode ajudá-lo a pular esta etapa. Mas além do cronômetro há outros nadadores mais experientes e mais rápidos a sua frente como Ícaro Pereira, Gabriel Ogawa e principalmente Leonardo Santos.

Aline Rodrigues – Foto: Jonne Roriz/COB

Na natação feminina a chance de termos surpresas entre as classificadas é menor. Porém, há nomes que podem melhorar suas marcas pessoais com mais alguns meses até a seletiva. Em ascensão, Aline Rodrigues é um nome que pode tentar uma vaga olímpica em provas individuais e também nos revezamentos 4x100m e 4x200m livre que passarão por vaga através da repescagem mundial. Suas melhores chances estão justamente nestas provas, mas ela precisará abaixar seus tempos até a seletiva em 2021. Nos 400m e 800m livre há esperança, mas ainda esta longe dos índices.

Nos 1500m livre há boas chances de duas nadadoras representarem o país em Tóquio. Viviane Jungblut já nadou cinco vezes abaixo do índice de 16min32s04 e deve conseguir se classificar. Quem esta mais perto de chegar a marca é Betina Lorscheitter que tem como melhor marca pessoal 16min38s52 e nos últimos meses vem se dedicando cada vez mais as provas em piscina. Inclusive, Betina iria nadar esta prova no Campeonato Sul-Americano de Buenos Aires que foi cancelado pela pandemia do COVID-19.

Betina Lorscheitter – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Por fim, um caso parecido com o de Stephan Steverink na seleção feminina é o de sua xará Stephanie Balduccini. A jovem de 15 anos teve uma excelente temporada em 2019 fechando o ano com o tempo de 56s00 nos 100m livre. O tempo ainda esta distante do índice que é 54s38, mas com mais de um ano até a seletiva Stephanie ainda vai evoluir. Porém, o cenário mais realista é uma vaga no revezamento 4x100m livre do Brasil, que ainda não esta classificado e precisará passar pela repescagem. Se conseguir nadar regularmente na casa dos 55 segundos entrará na briga por uma vaga.

Há outros nomes de nadadores jovens e com potencial para também poderem lutar por índice para os Jogos de Tóquio com destaque para Kauê Carvalho nos 200m borboleta, Guilheme Basseto nos 100m costas, Pedro Cardona nos 100m peito, Gabriel Ogawa nos 200m medley e Nathalia Almeida nos 200m medley. Todos já estiveram em algum momento na seleção, mas precisam abaixar suas marcas e terão adversários muito fortes na batalha por um lugar na seleção. O adiamento dos Jogos deu esperança a muitos nadadores e isso será ótimo para acompanharmos nos próximos meses.

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Betina Lorscheitter CBDA Jogos Olímpicos Luiz Gustavo Borges Murilo Sartori natacao Tóquio-2020

Guilherme Freitas

Jornalista sênior da SWIM CHANNEL.

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