Vai começar o Mundial: preview das provas de águas abertas

13/07/2017

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Amanhã tem início a 17ª edição do Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos, em Budapeste, na Hungria. A cerimônia de abertura ocorrerá à noite, no horário local, mas antes já haverá disputas do nado sincronizado e do pólo aquático. Nem é preciso dizer que, para nós da natação, o campeonato tem o mesmo valor que a Copa do Mundo de futebol, para os aficcionados pela bola nos pés.

Por isso, para inaugurar nossa cobertura, trazemos o preview das provas de águas abertas, que terão início no sábado, no lago Balatgon, com a prova de 5 km masculina. Boas possibilidades para o Brasil, que vai liderado pela estrela Ana Marcela Cunha, que brilhou na última edição, em 2015, com três medalhas.

Feminino

O programa de provas femininas terá início no domingo, dia 16, com a prova nobre: os 10 km. Todas as integrantes do pódio do último Mundial, em 2015, estarão presentes: a francesa Aurelie Muller, a holandesa Sharon van Rouwendaal e a brasileira Ana Marcela Cunha. Obviamente são fortíssimas concorrentes, e van Rouwendaal traz ainda na bagagem o ouro olímpico do ano passado. Mas, entre as favoritas, a nadadora mais consistente vem sendo a italiana Rachele Bruni, prata na Olimpíada do Rio. Foi campeã da Copa do Mundo do ano passado e venceu a última etapa deste ano, em Setúbal, Portugal. Sua compatriota Arianna Bridi, apesar de ainda não ter grandes conquistas internacionais, cresceu nas últimas etapas da Copa do Mundo do ano passado e lidera o circuito deste ano. Irá brigar por medalha. Os Estados Unidos vêm fortes, com a vice-campeã olímpica em 2012 Haley Anderson e a bronze nos 5 km em 2011 Ashley Twitchell. A interminável alemã Angela Maurer, prestes a completar 42 anos, já subiu ao pódio deste evento e sempre está na briga. Ana Marcela é uma óbvia concorrente a medalhas. Após a decepção olímpica no ano passado, já mostrou em etapas da Copa do Mundo que está recuperada e sua força e experiência podem fazer a diferença. Viviane Jungblut, que tirou a vaga da medalhista olímpica Poliana Okimoto, terminou a etapa de Setúbal na segunda posição e se tornou a primeira brasileira, depois de Ana Marcela e Poliana, a medalhar em Copa do Mundo. Motivadíssima, pode surpreender.

Viviane Jungblut disputará seu primeiro Mundial - Foto: Satiro Sodré/SSPress

Viviane Jungblut disputará seu primeiro Mundial – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Os 5 km serão realizados na quarta-feira, dia 19. A americana Haley Anderson é a atual bicampeã da prova, e vai atrás do tri consecutivo, algo que nenhuma mulher até hoje conseguiu em provas de águas abertas em Mundiais de esportes aquáticos (no masculino, o alemão Thomas Lurz já alcançou o feito). Sua compatriota Ashley Twitchell também é forte concorrente, pois já medalhou na prova em 2011. Ana Marcela Cunha foi bronze em 2013 e, apesar de ir melhor nos 10 km e 25 km, é um nome forte. Betina Lorscheitter irá brigar por um lugar ao sol no meio de tantos nomes. Afinal, também estarão presentes a grega Kalliopi Araouzou, prata em 2015, a campeã olímpica dos 10 km Sharon van Rouwendaal da Holanda, a francesa Aurelie Muller e a australiana Kiah Melverton, conhecida por seu desempenho em piscina – foi bronze nos 800m livre no Mundial de curta do ano passado.

A duríssima prova de 25 km será realizada na sexta-feira, dia 21. Ana Marcela Cunha venceu a prova em 2011 e em 2015, e é uma das favoritas. É uma das poucas que conseguem ter destaque internacional nas três provas. Terá a companhia de Betina Lorscheitter, que estreia na prova. A italiana Martina Grimaldi, bronze olímpico nos 10 km em 2012, andava meio sumida e estará presente. Ela venceu a prova no Mundial de 2011. A vice-campeã em 2015 foi a húngara Anna Olasz, que está inscrita. Olho nela, assim como a veteraníssima alemã Angela Maurer, que subiu no pódio da prova nas últimas duas edições. Sharon van Rouwendaal e Aurelie Muller, apesar de nadarem melhor os 5 km e 10 km, nunca podem ser descartadas. A americana Becca Mann há alguns anos era uma promessa nas piscinas, mas não chegou onde se esperava e hoje investe nas águas abertas. Pode surpreender.

Sharon van Rouwendaal, campeã olímpica (foto: NBC Olympics)

Sharon van Rouwendaal, campeã olímpica (foto: NBC Olympics)

Masculino

A prova de 5 km é a que abre o programa das águas abertas no lago Balaton, no sábado, dia 16. E é uma prova um tanto esvaziada. O atual campeão, o sul-africano Chad Ho, estará na prova. Mas seus companheiros no pódio de 2015, o alemão Rob Muffels e o italiano Matteo Furlan, não. O único medalhista olímpico presente será o francês Marc-Antoine Olivier, que foi bronze nos 10 km em 2016. Por isso, é um dos favoritos. Chance para novos nomes aparecerem, e é aí que Victor Colonese e Fernando Ponte podem surpreender. Atenção para o australiano Jack McLoughlin, nadador olímpico em 2016 no 1500m livre, e o americano Andrew Gemmell, atual campeão pan-pacífico dos 10 km e bronze na mesma prova em 2009.

Ferry Weertman e Marc-Antoine Olivier (foto: divulgação)

Ferry Weertman e Marc-Antoine Olivier (foto: divulgação)

Já os 10 km, a serem realizados na terça-feira, dia 18, estarão mais concorridos. Além de Marc-Antoine Olivier, teremos a presença do campeã olímpico Ferry Weertman, da Holanda, além do último campeão mundial da prova, o americano Jordan Wilimovsky. Aliás, entre os nadadores que chegaram ao pódio no último Mundial e na última Olimpíada nos 10 km, o único que não nadará é o grego Spyridon Gianniotis, que se aposentou. E ele será o único dos dez primeiros na Olimpíada do Rio de Janeiro que não irá nadar em Budapeste. Só por aí nota-se o nível que a prova terá. Outros nomes de destaque são o canadense Richard Weinberger, bronze olímpico em 2010, e os italianos Simone Ruffini, campeão da Copa do Mundo de 2016, e Federico Vanelli, atual líder do circuito. Allan do Carmo sempre foi competitivo na prova, terminou entre os dez primeiros nos últimos dois Mundiais e pode subir um nível e brigar por medalhas, podendo puxar o outro brasileiro, Fernando Ponte, a um grande resultado.

Os 25 km serão realizados na sexta-feira, dia 21. Assim como nos 10 km, teremos uma forte dupla italiana. Simone Ruffini é o atual campeão, e Matteo Furlan foi bronze em 2015. Presença do americano Chip Peterson, grande nome dos 10 km (já foi campeão mundial, pan-pacífico e pan-americano), mas que em Budapeste irá nadar só os 25 km. O Brasil vai com Allan do Carmo e Victor Colonese em busca de surpreender os favoritos.

Allan do Carmo durante a chegada da maratona - Foto: Satiro Sodré/SSPress

Allan do Carmo (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Prova mista de revezamento

A prova de equipes será realizada no dia 20, quinta-feira. E com mudanças. Nas últimas edições, a prova contava com três nadadores de cada equipe, sendo ao menos uma mulher, e os três atletas nadavam todo o percurso juntos. A classificação era feita através do tempo final, pois as equipes não duelavam diretamente entre si. Agora, o formato é completamente diferente. Será um revezamento, com dois homens e duas mulheres, cada um nadando 1.250 metros. Ou seja, emoção até o final (espera-se). A Itália seria a grande favorita, mas seus destaques femininos, Rachele Bruni e Arianna Bridi, não irão nadar. A Holanda, que tem os dois medalhistas de ouro olímpicos no Rio de Janeiro, também está ausente. Isso abre a porta para outras equipes brigarem pelo ouro. Destaque para os Estados Unidos, de Haley Anderson e Jordan Wilimowsky, a França de Aurelie Muller e Marc-Antoine Olivier, a Austrália de Jack McLoughlin e Kiah Melverton, e, claro, o Brasil, que vai com Ana Marcela CunhaAllan do CarmoBetina Lorscheitter e Fernando Ponte. O Brasil foi medalhista na prova de equipes nos últimos dois Mundiais e tem força no conjunto. Não será surpresa se beliscar mais uma medalha.

Por Daniel Takata

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