Ainda faltam mais de 300 dias para o início das disputas dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, porém, a seleção australiana já começou sua preparação visando o maior evento esportivo do mundo. A seletiva para definir a equipe olímpica dos aussies só vai acontecer em abril do ano que vem. Mas saber quem virá ao Rio é o que menos importa, a Swimming Australia quer que todos os seus principais nadadores estejam preparados. E tudo isso devido ao polêmico horário de disputa das provas de natação.
Em novembro do ano passado publicamos aqui no Blog SWIM CHANNEL que o Comitê Olímpico Internacional havia definido que os Jogos do Rio teriam horários bastantse diferentes do normal, com as eliminatórias sendo realizadas a partir das 13h e as finais as 22h. Houve pressão e reclamação, principalmente da delegação australiana para que os horários fossem revistos. Porém, o COI decidiu manter a medida para atender ao pedido da rede de TV americana NBC, que desembolsou cerca de US$ 4 bilhões pelos direitos de transmissão do evento e escolheu esses horários, pois se adéquam melhor em sua grade de transmissão.
Como não haverá possibilidade que o programa do Rio-2016 seja revisto, a federação australiana resolveu se mexer e se preparar. Ela reuniu em Camberra 80 nadadores, sendo 40 da equipe principal e 40 do time júnior, para um training camp especial. Todos os atletas farão uma espécie de “simulado” visando o dia a dia que encontrarão no Rio. Os nadadores acordam por volta das 11h e ao meio dia tomam um café da manhã. Depois realizam uma sessão de treinamento por duas horas (das 13h as 15h) e almoçam apenas as 17h. As 20h30 realizam sessões de aquecimento e exercícios leves na água e das 22h a meia noite fazem simulação de provas, indo jantar as 1h e dormir as 2h da manhã. Uma rotina diferente e que levará tempo para ser adaptada, mas que será vivenciada por eles ano que vem.

Os australianos estão levando essa preparação olímpica tão a sério que todos os nadadores usam pulseiras com sensor de monitoramento de sono para saber qual aqueles que sofreram mais ou menos com a drástica mudança. Tudo isso para obter uma campanha melhor no Rio depois da fraca participação em Londres-2012. Na ocasião o país conquistou apenas uma medalha de ouro e ainda teve atletas envolvidos em escândalos dentro da concentração. A recuperação aussie já pode ser vista no Campeonato Mundial de Kazan e no Campeonato Mundial Júnior de Cingapura quando a equipe ganhou respectivamente 16 e 19 medalhas.
A ação australiana é realmente muito interessante e poderia ser feita também por outras delegações. A seleção brasileira, que definirá sua equipe após o Troféu Maria Lenk do ano que vem, poderia testar a iniciativa que seria bem mais realista, afinal, seria feita na própria cidade olímpica.
Por Guilherme Freitas