Chegamos a segunda parte a da minissérie de três textos sobre a saga e história do Circuito Mares. Na semana passada, contamos mais sobre as origens e o estabelecimento do evento no calendário nacional de águas abertas do país. Hoje chegou a vez de falar mais sobre as particularidades da competição, as características das provas e também os atletas de destaque que já caíram na água para competir no Mares, inclusive, muitos nadadores olímpicos e da seleção brasileira. Confira abaixo.

Particularidade: as características do evento
Um dos motivos que fazem o Circuito Mares ser bastante popular são as provas oferecidas aos nadadores em águas abertas. Ao longo de sua história, o circuito já ofereceu diferentes distâncias aos atletas, porém, o circuito se consolidou com percursos mais tradicionais aos atletas de águas abertas.
As distâncias clássicas de 1 km e 5 km, sempre fizeram parte do cronograma do evento, assim como a versão de 2,5 km e mais curta de 500m, indicada para crianças e iniciantes na modalidade. Mas todas estas distâncias não são conhecidas apenas pela quantidade de metros e quilômetros a serem percorridas. Cada prova tem uma nomenclatura especial.
A prova principal e que atrai o interesse dos nadadores mais experientes se chama Challenge e tem o percurso definido em 5 km. A prova com 2,5 km é chamada de Marathon e a de 1 km Short. A mais curta com 500 metros de percurso é a Start. Estas quatro distâncias foram durante muito tempo o grande chamariz do Circuito Mares, que no universo dos nadadores ficaram sempre conhecidas não pela distância, mas sim pelos seus respectivos nomes.

A utilização de nomes próprios para definir cada prova foi uma estratégia para consolidar na memória dos nadadores as distâncias a serem percorridas, como conta Fabrício. “A ideia era de gerar nomes que tivessem uma identidade para as provas. Até então as provas eram separadas apenas pela distância e a partir daí se tornou uma referência dar nomear as provas nos eventos de águas abertas”, disse.
Porém, o circuito já testou outras distâncias como mencionado neste texto. A prova de 10 km recebeu o nome de Super Challenge. Mais recentemente, desde 2023, o Circuito Mares vem organizando provas em revezamento na distância de 4x500m que foi batizada como Desafio Mares, uma prova rápida e que vem sendo aprovada pelos participantes. Este ano também ocorrerá pela primeira vez durante a etapa de Ilhabela, em setembro, o Desafio Mares Contra Relógio, onde cada atleta define sua própria meta e se desafia a cumpri-la, nadando sem GPS e sem relógio dentro do seu ritmo estabelecido.

Outro ponto que sempre atrai os nadadores é o ranking da temporada, onde os atletas que nadam mais vezes e conseguem melhores posições ao longo das etapas, recebem no final do ano uma premiação especial por categoria, além de suas equipes também conquistarem este prêmio após o fim de uma longa temporada.
“O evento tem a característica de circuito, e essa é a intenção do evento: promover a participação no campeonato como um todo. Temos uma ótima adesão de atletas que disputam o campeonato inteiro ou pelo menos três etapas, que já classifica o atleta para o rank”, diz. Fabrício ainda aponta uma grande competitividade ao longo do ano.

“As categorias são disputadas ponto a ponto por um grande número de atletas. Levamos isso bem a sério. Tanto é que a festa de premiação do Rank, no início de cada ano, que premia os vencedores da temporada é um grande sucesso com a participação massiva dos atletas”, completa Fabrício.
Mas nem só de esporte vive um atleta. Como dito no início do texto, o Circuito Mares nasceu com o objetivo de aliar o esporte ao estilo de vida. Fazer com que o atleta se divirta ao praticar seu esporte favorito e se conecte a natureza é um dos objetivos do circuito. Desta forma dois projetos foram lançados pelo evento. A Casa Mares, que reúne música, arte-educação, fotografia, clínicas de natação, alongamento e confraternização visando criar uma grande conexão entre os presentes e a limpeza das praias visando a conscientização ambiental, através de uma coleta seletiva do lixo em parceria com “Projeto Água Viva”.

Credibilidade: as estrelas do esporte que já caíram na água
Mas um grande evento não se faz somente de boa organização e estrutura aos participantes. Muitas vezes o que traz prestígio a uma competição é a presença de grandes nomes e expoentes de uma modalidade. E isso o Circuito Mares tem de sobra. Desde atletas olímpicos e nadadores amadores que são destaque em eventos nacionais, muita gente boa já passou pelo Circuito Mares.
A começar pela primeira medalhista olímpica da natação feminina do Brasil: Poliana Okimoto, medalha de bronze nos Jogos do Rio-2016. Poliana participou de algumas etapas da competição entre 2017 e 2018, logo após encerrar sua carreira profissional. Porém, ela não nadou nenhuma das provas de água abertas. A medalhista olímpica se aventurou no aquathlon, como uma diversão e uma nova oportunidade para testar seus limites.

Finalista nos Jogos Olímpicos do Tóquio-2020 e tricampeão pan-americano nos 200m borboleta, Leonardo de Deus também nadou algumas etapas da competição como forma não apenas de curtir o momento, mas também para ajudar na promoção da modalidade no país. Mesmo tendo um currículo brilhante nas piscinas, Leo de Deus sempre gostou de nadar em águas abertas e o Circuito Mares foi um dos eventos que ele prestigiou.
Henrique Martins e Giovanna Diamante, foram outros atletas olímpicos na piscina que chegaram a disputar etapas do Circuito Mares em algum momento. Henrique fez parte da delegação dos Jogos do Rio-2016 e Giovanna da equipe olímpica em Tóquio-2020. Ambos também estiveram presentes em várias outras seleções brasileiras, disputando Jogos Pan-Americanos e Campeonatos Mundiais.

Membros de seleções brasileiras de águas abertas também foram figurinhas carimbadas na história do Circuito Mares. Betina Lorscheitter, que disputou dois Mundiais e um Pan-Americano pelo Brasil, coleciona vitórias e conquistas no evento, assim como Victor Colonese, medalhista de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Lima-2019, que venceu uma etapa do circuito em 2022. Henrique Figueirinha, que nadou o Mundial de Doha ano passado, também já nadou e venceu etapas da competição.
Entre os atletas amadores que brilham ao longo dos anos em diferentes circuitos nacionais, já disputaram etapas do Circuito Mares os nadadores Samir Barel, Marcos Fraccaro, Marcos Campos, Luis Felipe Lebeis, Artur Pedroza, Patrick Winkler, Thais Sant’Ana, Vitória Farabulini, Rafaela Monilly, Catarina Ganzeli Winkler, Ana Carolina Morelli, Thalita Adde, entre outros. Todos grandes referências e inspirações para os demais atletas.

Mas não podemos deixar de mencionar uma dupla que nos últimos anos não foi apenas participante do evento, mas também parceira. Trata-se do casal Fabiola Molina e Diogo Yabe, de grande história na natação brasileira e que desde 2024 passaram não apenas a competir no Circuito Mares, como também apoiar o evento através da marca esportiva Fabiola Molina, tema que será detalhado no próximo tópico. Fabiola, principalmente, vem nadando com frequência a competição e aproveita a oportunidade para levar a família ao evento e desfrutar de momentos únicos em meio a natureza.
Além deles, os atletas paralímpicos também prestigiam a competição, que é bastante atraente e acessível aos para-atletas. Sobre a presença de tantos atletas de renome nacional e internacional, Fabricio afirma que essas participações foram e são importantes para o crescimento do Circuito Mares. “Sempre tivemos e temos a participação de atletas de alto rendimento que usam a prova como treino. Paralímpicos também, tradicionalmente, a seleção brasileira de natação paralímpica vem para última etapa do ano, final de calendário deles, para fazer nossa prova, prestigiar, e usar como treino e integração da equipe de piscina que tem um calendário duríssimo durante o ano”, conta.

Na próxima semana trazemos a terceira e última parte desta minissérie, abordando as parcerias de sucesso entre o Circuito Mares e empresas, além de contar um pouco mais sobre o evento na atualidade.
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