A lista abaixo traz os recordes brasileiros femininos das provas olímpicas (e pan-americanas) em piscina de 50 metros, e também até que ano o respectivo recorde representaria recorde mundial.
50m livre – Etiene Medeiros, 24s74 – recorde mundial até 1994
100m livre – Larissa Oliveira, 54s61 – recorde mundial até 1992
200m livre – Manuella Lyrio, 1min58s03 – recorde mundial até 1984
400m livre – Manuella Lyrio, 4min12s14 – recorde mundial até 1976
800m livre – Joanna Maranhão, 8min32s96 – recorde mundial até 1978
100m borboleta – Gabriella Silva, 56s94 – recorde mundial até 2000
200m borboleta – Joanna Maranhão, 2min09s38 – recorde mundial até 1979
100m costas – Fabiola Molina, 1min00s07 – recorde mundial até 2002
200m costas – Joanna Maranhão, 2min12s05 – recorde mundial até 1978
100m peito – Tatiane Sakemi, 1min07s67 – recorde mundial até 1996
200m peito – Carolina Mussi, 2min27s42 – recorde mundial até 1986
200m medley – Joanna Maranhão, 2min12s12 – recorde mundial até 1981
400m medley – Joanna Maranhão, 4min38s07 – recorde mundial até 1980
4x100m livre – Brasil, 3min37s39 – recorde mundial até 2000
4x100m medley – Brasil, 3min58s49 – recorde mundial até 2000
Propositadamente o recorde do 4x200m não foi mencionado. Pois hoje a equipe formada por Manuella Lyrio, Jessica Cavalheiro, Joanna Maranhão e Larissa Oliveira conseguiu o melhor desempenho por esse critério entre os recordes brasileiros.
O tempo de 7min56s36, prata atrás dos Estados Unidos, representaria recorde mundial até 2004, quando a equipe americana bateu o recorde da antiga Alemanha Oriental. Coincidentemente, naquela mesma final olímpica, a seleção brasileira, com 8min05s29, estabeleceu uma marca histórica, que foi superada somente este ano pela equipe do Pinheiros no Troféu Maria Lenk.
Por isso a marca é tão significativa. Melhorar em quase nove segundos aquela marca histórica já é por si só um feito impressionante. O tempo é digno de final olímpica (a equipe oitava colocada em 2012 fez 7min56s73). Grandes revezamentos são marcados pela regularidade dos quatro componentes, e foi o que aconteceu aqui: apenas 33 centésimos separaram as parciais das nadadoras (Manuella 1min58s98, Jessica 1min59s03, Joanna 1min59s31, Larissa 1min59s04). E ainda há margem de melhora, pois Manuella abriu a prova quase um segundo acima do que fez na prova individual, e Larissa fechou para 1min59s04, mas já fez 1min58s53 nos 200m livre.
11 anos depois de Atenas, a expectativa do revezamento fazer ainda mais história em nível internacional volta com tudo.

E o dia não se resumiu a essa prova para o elo que liga as duas equipes, Joanna Maranhão. Já são três recordes sul-americanos e um brasileiro nessa que talvez já seja a melhor competição de sua vida.
O 4min38s07 no 400m medley também trouxe a tona a lembrança de 2004. Mas de uma maneira mais forte: finalmente superara seu recorde brasileiro de 4min40s00, da final olímpica daquele ano.
Foram sete vezes na casa dos 4min40s até hoje. Muitos altos e baixos, com períodos em que ela até anunciou que não nadaria mais a prova. Mas, após uma breve aposentadoria, voltou em 2014 renovada. E nadando melhor do que nunca.
Abaixo, as comparações das parciais:
2004: 1:04.46, 1:11.50, 1:21.70, 1:02.34, 4:40.00
2015: 1:03.27, 1:11.53, 1:20.79, 1:02.48, 4:38.07
Os nados decisivos para o recorde foram o borboleta e o peito. E não que ela não tenha melhorado nos outros estilos. Afinal, mesmo forçando o início de prova em relação a 2004, conseguiu manter parciais semelhantes no costas e no livre.
Para Joanna, a medalha é o que menos importa. E que, aliás, saiu, pois a canadense vencedora Emily Overhol foi desclassificada, e assim a brasileira herdou o bronze. Um protesto da delegação canadense fez com que o resultado demorasse a sair, e a premiação será amanhã.
Imbróglio também nos 400m medley, desta vez envolvendo Thiago Pereira. Muita discussão em relação a se sua virada do peito para o livre foi irregular ou não. Pelas imagens do SporTV, parece que ele toca a parede com as mãos alternadas, o que é proibido pela regra. Também sob protesto, o resultado oficial demorou a sair. Ele terá que esperar até os 200m medley para igualar o recorde histórico de 22 medalhas em Pans no ginasta cubano Eric Lopez.
Menos mal para o Brasil que o herdeiro do ouro foi Brandonn Almeida, que não acreditava em seu 4min14s47. Com um final de prova avassalador de 58s56, quase alcançou Thiago Pereira, que virou para o livre três segundos à sua frente. Seu final de prova foi similar ao de Ryan Lochte e Kosuke Hagino na Olimpíada de 2012. O tempo é recorde mundial junior e ele irá como favorito ao Mundial Junior, que acontecerá em agosto em Cingapura.
Fica a certeza: a hegemonia nacional de Thiago Pereira na prova que vem desde 2003 está muito ameaçada. E, caso ele continue nadando a prova, terá muitas dificuldades para vencê-la novamente.
Nas finais dos 100m borboleta, Daynara de Paula e Arthur Mendes nadaram um pouco aquém de seus melhores, o que no caso do brasileiro representaria uma medalha de bronze. Daiene Dias sai com melhor marca pessoal de 58s74, em uma prova marcada pela impressionante performance da americana Kelsi Worrell, 57s24 nas eliminatórias e terceiro tempo do mundo.
Com as desclassificações nos 400m medley, o Brasil assume a liderança do quadro de medalhas da natação, com seis ouros, contra cinco do Canadá e quatro dos Estados Unidos. Não será uma briga fácil, principalmente contra os americanos que vêm crescendo. Mas há mais chances do que nunca para terminar a competição encabeçando o quadro de medalhas. Lembram do mundial de curta do ano passado?
Por Daniel Takata