Pouca gente se deu conta, mas o sucesso incontestável de Guilherme Costa, o melhor nadador do Brasil nas provas de piscina do Mundial de Budapeste, foram construídas de forma diferente. Ele foi capaz de chegar a três finais, caindo na água por seis vezes, cinco delas com novo recorde sul-americano, mas principalmente executadas de forma distinta.
Cachorrão não foi só perfeito nos resultados, mas na estratégia, com uma habilidade incrível de poder ajustar parciais e executá-los com perfeição em performances espetaculares. Abaixo, apresentamos em detalhes como cada uma das provas foram realizadas e a forma distinta que o nadador brasileiro conseguiu construir em seus resultados.

400m livre
Foi a sua melhor execução estratégica. Já nas eliminatórias se classificou com o terceiro tempo para a final e já fazendo sua melhor marca pessoal com 3min44s52. Da eliminatória para a final, ele ajustou o parcial, não só mais lento (1min51s71 contra 1min50s83 da manhã), mas “mais fácil”. Na parte técnica também houve melhora na aproximação das viradas, coisa que ainda não está perfeita, mas com melhora significativa para a final.
O determinante para o resultado da final, entretanto, foi a capacidade de fechar a prova. Os 26s38 dos últimos 50 metros lhe trouxeram da quinta para a terceira posição e ganhar a medalha de bronze. Foi o melhor último parcial da prova até mais baixo que os 26s50 que o australiano Elliajah Winnington fez para ganhar a medalha de ouro.
Outro destaque desta performance foi a capacidade de controle, afinal ele sempre esteve entre o 5º e o 7º lugar durante 350 metros da prova, sem se incomodar sabendo do potencial forte que teria para concluir a distância.
Prova perfeita!

800m livre
Foi a única prova que ele não conseguiu fazer melhor marca pessoal tanto na eliminatória como na final. Classificou com o sétimo tempo na eliminatória com 7min46s90 e terminou em 5o lugar com 7min45s48. Ele mesmo verbaliza que é a prova onde ainda não atingiu todo o seu potencial, e fala com muita propriedade.
Junto com seu treinador Rogério Karfunkelstein, foi estabelecida uma estratégia que era colocar um ritmo que estava acima do seu potencial. Nadando na raia 1, Costa foi líder da prova até os 300 metros e estava na briga pela prova até os 400. Depois de passar os 400 metros com 3min50s87 voltou com 3min54s61 e ainda conseguiu fechar com 28s00.
Diferente dos 400, onde foi o mais rápido, ainda foi um parcial forte, manteve o seu perfil de fechar bem suas provas, mas o ritmo arriscado mostrou uma disposição para entrar no grupo que disputa as medalhas e talvez até vença a prova.
Ainda não foi desta vez, mas definitivamente foi ligado o alerta para a performance do brasileiro.

1500m livre
A prova mais equilibrada. No último dia de competição, foi capaz de classificar com o quarto tempo para a final com 14min53s03. Nesta execução foi mais controlado, teve a prova toda em parciais muito próximos.
A cada 500 metros fez 4min53s22, 4min57s00 e 4min58s31. Na metade da prova, seus 750 metros apontavam 7min20s71 e voltou com 7min27s82.
Ainda em destaque a diferença que se coloca na atualidade entre Guilherme Costa e todos os nadadores do continente. Na faixa dos 800 metros, ele tinha 7min50s49, cinco segundos a frente de qualquer brasileiro na prova dos 800 livre, e até mesmo melhor do que todos os recordes nacionais de outros países da América do Sul.
Dentro do atual padrão de nado e marcas de Guilherme Costa, a prova foi balanceada e conseguindo mais uma vez fechar forte. O último 50 metros (27s06) está entre os melhores dos finalistas.
ANÁLISE SWIM CHANNEL
Resultado incríveis e produtos de muito treinamento e preparação adequada, mas executados com perfeição em estratégias e abordagens distintas o que mostra uma capacidade de adaptação e resposta a diferentes situações, todas executadas perfeição.
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