Por Thiago Medeiros Rodriguez *
Após os campeonatos estaduais e nacionais de inverno, muitos nadadores desfrutaram de merecidas férias no meio do ano e agora começam, aos poucos, a retomar os treinos para encarar o segundo semestre da temporada.
É comum que, após um período de pausa, o corpo apresente alguns desconfortos e dores musculares nos primeiros dias de retorno. Isso ocorre porque o organismo precisa se readaptar gradualmente às exigências físicas do treinamento. No entanto, é fundamental estar atento a certos sinais que podem indicar algo mais sério — e que exigem atenção por parte do atleta, do treinador e da equipe multidisciplinar. Veja abaixo alguns sinais de alerta para o nadador.

1. Dor que não melhora após 72 horas
O treinamento físico provoca microlesões musculares que, com o descanso adequado, são naturalmente reparadas, promovendo adaptações positivas no corpo. Esse é um princípio básico da fisiologia do treinamento conhecido como supercompensação (Bompa & Haff, 2009). Se a dor persistir por mais de 72 horas, pode ser um sinal de que houve sobrecarga ou que o período de recuperação foi insuficiente. Nesse caso, o risco de desenvolver uma lesão aumenta significativamente. O equilíbrio entre carga e recuperação é essencial para o progresso. Durma bem, mantenha uma alimentação balanceada, hidrate-se e respeite os sinais do seu corpo.
2. Dor que piora durante o treino
Quando a dor se intensifica com o esforço, isso indica que algo está errado. Pode haver instabilidade articular, sobrecarga tendinosa ou até o início de uma inflamação. Nessa situação, é fundamental relatar o sintoma ao treinador. Ajustes no volume, intensidade e tipo de estímulo podem ser feitos para evitar a evolução do problema. Além disso, incluir exercícios de fortalecimento muscular e estabilidade articular ajuda a preparar o corpo para as demandas específicas da natação e a reduzir o risco de lesões (Hibberd et al., 2016).

3. Dor logo no início do treino
Sentir dor já nos primeiros minutos de treino pode indicar que o corpo ainda não se recuperou completamente da sessão anterior. Insistir em manter a mesma carga de treino nesse cenário pode ser contraproducente. Reduzir temporariamente o volume ou a intensidade permite uma recuperação mais eficaz, e essa pausa estratégica pode ser decisiva para a continuidade saudável da temporada.
A dor faz parte do processo de evolução no esporte, mas ela também pode ser um alerta. Saber ouvir o próprio corpo é uma habilidade essencial para o nadador, tanto quanto dominar a técnica ou respeitar a planilha. A linha entre desconforto adaptativo e lesão iminente pode ser tênue — por isso, a comunicação com o treinador e a equipe de suporte deve ser constante. Cuidar do corpo não é sinal de fraqueza, mas uma estratégia inteligente para alcançar longevidade e alto desempenho no esporte.
* Thiago Medeiros Rodriguez é fisioterapeuta, nadador e treina atualmente com a equipe Samir Barel Assessoria Aquática
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