Por Beatriz Nantes *
A nadadora capixaba Thais Sant’Anna completou a travessia do Canal da Catalina na última quarta-feira, dia 16 de setembro. O trajeto de aproximadamente 34km entre a ilha de Catalina e Los Angeles foi feito em 9h49min (tempo extraoficial).
Com essa conquista, Thais completa a Tríplice Coroa da Natação em Águas Abertas – ela já havia completado o Canal da Mancha (2024) e a Volta a Ilha de Manhattan (2025), as duas outras provas que compõem a Tríplice. Com isso, ela se torna apenas a terceira brasileira a alcançar a honraria, depois de Dailza Damas e Alessandra Cima.

A prova é conhecida por três dificuldades principais: a intensa vida marinha, por estar em uma área com muita presença de tubarão; o fato de ser uma prova noturna, com boa parte do nado realizado no escuro; e a temperatura fria da água, especialmente no final da prova, onde ocorre uma queda brusca, tipicamente chegando a 14 graus próximo à chegada em Palos Verdes.
“Esse ano, por conta do El Niño, pegamos uma temperatura muito boa, estava em 22 graus, foi bem confortável. Mas o que ganhamos na temperatura perdemos no sentido da corrente, que ficaram totalmente imprevisíveis. Tinha uma corrente lateral muito forte, então no dia anterior o barqueiro chegou a falar pra eu me preparar para nadar 5 horas a mais”, disse a nadadora à Swim Channel.

Thais largou às 23h08 e teve como apoio no caiaque seu marido Nick Fenzl, além de um barco com dois observadores da organização e sua equipe. Para não atrair tubarões, o barco sai com uma iluminação verde e vermelha apenas.
“O começo da prova foi um breu. Ela começou nadando em um padrão muito bom, e depois de algumas horas precisamos virar noventa graus para contornar uma corrente, e mal dava para enxergar. O mar logo ficou uma piscina novamente e finalmente amanheceu”, disse Nick, que também foi o caiaqueiro de Thais na Volta de Manhattan no ano passado. Junto com o alívio da claridade veio um vento leste, e com isso a parte mais tensa da prova. Nas últimas 2 horas, Thais já enxergava a chegada mas lutou muito contra a corrente.

O final da prova foi de muita emoção. Thais perdeu a mãe um dia depois de chegar em Los Angeles, depois de meses de internação. “Eu por mim não gostaria de ter vindo. Mas se desistisse de vir, eu estaria desistindo de acreditar que ela sairia dessa. A gente veio acreditando que ela ficaria bem, então foi um choque muito grande”, disse a nadadora.
Nick conta que ela acabou perdendo muitos treinos na reta final da preparação no Brasil por conta da situação da mãe, o que torna a conquista ainda mais impressionante. “Ela nadou pela mãe. Chegar aqui e receber a notícia foi muito duro. A chegada foi um alívio e todo mundo ficou muito emocionado”.

Thais disse que aos poucos vai caindo a ficha sobre ter completado a Tríplice. “Eu nem consigo comemorar ainda. Foi uma forma de honrar a minha mãe e de passar pelo luto. Esses dias foram uma forma de tentar juntar os caquinhos, ter as pessoas certas em voltas e tentar pelo menos entrar na água e fazer a travessia”, contou Thais, que com a conquista entra em um grupo de apenas 108 mulheres que já completaram a Tríplice na história.
* Beatriz Nantes é jornalista, nadadora de águas abertas e diretora e idealizadora filme “A travessia”, sobre a Maratona Aquática 14 Bis.
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